sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

UM CONVITE INTERESSANTE

Warwick Mota

Allan Kardec ao publicar a primeira edição de O Evangelho Segundo o Espiritismo em abril de 1864, legava para a humanidade a chama confortadora da lei evangélica interpretada à luz dos ensinos espíritas, então iniciados em 18 de abril de 1857 com a publicação de O Livros dos Espíritos, como também viabilizava sua relação interativa com os mais diversos problemas do homem.

A publicação de O Evangelho, veio sem qualquer receio de afirmar, ampliar o toque de amor dado a obra de Kardec, compondo a trilogia, Evangelho, Mediunidade e Espiritismo. O conteúdo moral explícito em suas páginas propõe ao homem a necessidade imediata da reforma íntima, através da assimilação pela exemplificação, dos ensinos propostos pelo Cristo. 

Apesar da grande dificuldade que temos em exteriorizar ensinamentos evangélicos por intermédio dos exemplos, dado à nossa pouca evolução, o Evangelho nos convida à mudança interior balizada nas propostas do Mestre Jesus, que se resume no exercício diário de amor ao próximo. 

As proposições orientadoras contida nesta obra, não se prestam a uma simples leitura fortuita, mas a um envolvimento maior no sentido de estudo e absorção de suas máximas, nos levando a reflexões, que só os ensinamentos de Jesus podem proporcionar.
O Codificador percebendo a grandeza da obra e a sua importância para a humanidade, nos chama a atenção para os seguintes ensinamentos, já na introdução, item primeiro, parágrafo último, dos objetivos da obra. 

"Esta obra é para uso de todo mundo; cada um nela pode achar os meios de conformar sua conduta à moral do Cristo. Os espíritas nela encontraram por outro lado, as aplicações que lhes concernem mais especialmente. Graças às comunicações estabelecidas, de hoje em diante de um modo permanente com o mundo invisível, a lei evangélica, ensinada a todas as nações pelos próprios Espíritos, não será mais letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado em praticá-la pelos conselhos dos seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vem esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho". 

Diante de tais palavras, a necessidade de reforma cala fundo em nossas consciências, propondo mudanças urgentes, principalmente em nós espíritas que a tanto propalamos, mas que, temos tristemente dado maus exemplos, seja pelas dissensões que causamos no movimento espírita, pela adulteração dos postulados Kardequianos, pela comercialização indevida daquilo que não nos pertence, e por tantos outros fatores que não vale a pena citar.

As palavras do Mestre lionês dispensam qualquer comentário, e suas afirmações são claras quando diz. "As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes de céu que vem esclarecer os homens e convidá-los à prática do Evangelho".

(Publicado na revista Reformador de agosto, 1996)

CENTRO ESPÍRITA TEM DONO?

Warwick Mota
"Dá conta de tua administração."- Jesus. (Lucas, 16:2.)

Procurando subsídios para uma palestra, folheava o livro Os Mensageiros¹, quando me detive de forma mais demorada no capitulo 34 intitulado "Oficina de Nosso Lar".

O que alguns anos atrás não me chamou a devida atenção ao ler o livro, desta feita me prendeu de forma especial, mas especificamente à frase em que Isidoro se dirige hospitaleiro a André Luiz:

"Entrem!
 
A casa pertence a todos os cooperadores fieis do serviço cristão"
 
Tal assertiva me reportou imediatamente a um diálogo que tive com um confrade amigo meu, acerca da construção de um Centro Espírita, em que o mesmo fazia questão de afirmar a todo o momento: "vou construir o meu próprio Centro", pois não se encontrava muito à vontade na instituição a que pertencia.
 
Tais afirmações, levaram-me a fazer uma análise do assunto.
 
Alguns irmãos, ao se sentirem melindrados por algum motivo nas instituições a que pertencem, libertam sentimentos negativos, como o egoísmo e o personalismo, e saem a falar em altos brados: "Vou fundar o meu próprio centro". Não estou colocando em questão a iniciativa altruísta cristã de construir um Centro, mas sim a ênfase dada ao pronome possessivo MEU, que nos dá a clara ideia de posse.
 
Estes irmãos, após terem construído os "seus centros," usam de forma mal disfarçada do termo MEU, para imporem regras e empecilhos aos que desejam integrar-se às tarefas enobrecedoras da casa, colocando explicitamente o personalismo nas tarefas que foram distribuídas anteriormente.

Quando estes donos, presidentes e detentores também de outras tarefas e "cargos" da casa, são procurados por trabalhadores da instituição que discordam das suas linhas de pensamento, fazem prevalecer as suas condições de "donos de Centro" e suas opiniões se sobrepõe a tudo.

"Quem não estiver satisfeito que procure outra casa, aqui eu mando."
 
Esquecem porém que um grupo espírita é um templo aberto à necessidade e à indagação de todas as criaturas, que não se resume, simplesmente, a simples propriedade particular, mas na sua profundidade maior, à condição de escola de amor cristão, de hospital, de oficina de trabalho e, especialmente, de nossos irmãos desencarnados, que trabalham para o Cristo.

Tais lembranças reportam-me a ensinamentos de Emmanuel, no livro Fonte Viva: "Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na obra do Supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador, porquanto cada criatura detém possibilidades enormes no plano em que moureja".
 
1 - Os Mensageiros, livro da série André Luiz (FEB)
(Publicado na revista O Espírita -Sodec em 1993)

PALESTRANTES E PALESTRAS


Warwick Mota  

Sempre que se fala em reunião pública, pensamos logo em palestra, e, por via de consequência, imaginamos quem será o expositor e qual será o tema a ser apresentado no dia. É sempre motivo de expectativa, por parte do público assistente, o tema a ser abordado pelo palestrante.

A palestra espírita constitui-se, nos dias atuais, num dos grandes mecanismos de divulgação da Doutrina, principalmente para as pessoas que estão chegando pela primeira vez à Casa. A mensagem renovadora e esclarecedora que passa o expositor tem, como objetivos principais, o despertar de consciências e a valorização de aspectos espirituais esquecidos que conduzem o homem a uma participação efetiva no processo evolutivo da humanidade.

Como sabemos, muitas pessoas buscam a Doutrina Espírita na certeza de que vão encontrar respostas concernentes para suas dúvidas e aflições. É aquela famosa frase: se não chegamos pelo amor, chegamos pela dor. Os conceitos impostos ao longo dos tempos pelas religiões ortodoxas trazem o questionamento pessoal de valores espirituais e levam pessoas a procurarem um argumento forte que satisfaça suas dúvidas.


Há um dito popular que diz que a primeira impressão é a que fica, e, no caso, o papel do expositor é de extrema importância para a transmissão de conceitos renovadores, a exposição balizada no evangelho de Jesus, nas obras básicas de Kardec, ou em obras de alto cunho doutrinário, como as de Léon Dennis, Gabriel Delanne, Herculano Pires etc., que realçam o caráter da pureza doutrinária, dirimindo dúvidas, e, por extensão, trazendo esperança e conforto a corações aflitos.


Logicamente nós, Espíritas, sabemos que o papel das palestras não se resume simplesmente em esclarecer os encarnados, pois que há um envolvimento maior no contexto, e que essa dinâmica gira entre o plano físico e extrafísico; é aí que entram as nossas companhias espirituais. Cabe-se observar, ainda, que, quando nos acomodamos em um banco, de um salão de palestras, trazemos a nossa psicosfera pessoal alterada em função dos nossos problemas vividos ao longo do dia, e que as pessoas que nos cercam trazem problemas idênticos ou diferentes dos nossos, o que já envolve a psicosfera do ambiente.


Nós carregamos conosco nossas companhias espirituais, que nos acompanham ao Centro e se acomodam junto a nós, nos bancos do salão, tendo participação efetiva na psicosfera do local. À medida que o expositor desenvolve o assunto, acontece a mudança espiritual no ambiente, pois se modifica o teor das vibrações, por meio da uniformização dos pensamentos.


É justamente a figura do expositor que nos chama atenção. A falta de preparo e o pouco conhecimento da Doutrina podem trazer sérios problemas. A responsabilidade de quem assume a tribuna espírita é muito grande, pois os comprometimentos são muitos. A abordagem de forma pessoal, de assuntos que requerem conhecimento doutrinário, pode afastar para sempre aquele que chega pela primeira vez à Casa.


A ambição de alguns em subir à tribuna é, no mínimo, preocupante, pois o objetivo, no caso, não é levar o Espiritismo ao público, mas, sim, buscar o status de orador espírita. Para isso, usam dos mais variados artifícios; esquecem que devem ter estilo próprio e se preocupam em imitar grandes expositores, inclusive nos gestos, ou, então, limitam-se a decorar longos trabalhos recheados de um vocabulário altamente prolixo, que, logicamente, vai prender o público mais no significado das palavras, do que na mensagem.


A preparação do palestrante é de fundamental importância. A observação cuidadosa dos assuntos a serem abordados e o cuidado em citar Jesus e Kardec nas exposições trazem, com certeza, a boa inspiração por parte da espiritualidade maior e proporcionam um melhor feedback do público.



           
 
 
           

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

TRANSTORNOS MENTAIS DO ESPÍRITO


Warwick Mota
 
De origem grega, o termo psicopatia significa “psiquicamente doente” e foi equivocadamente difundido no século XIX como toda espécie de doença mental. Com o tempo, essa disfunção mental foi se enquadrando em um perfil comportamental que revela perturbação específica, e, portanto, catalogada em cenário que aponta para um registro comportamental concreto, passando, dessa forma, a ser tipificadas por diversos estudiosos como uma doença mental séria.
 
São constantes na mídia os inúmeros casos que revelam as marcas da psicopatia e chama a atenção pela frieza e ausência de sentimentos que envolvem os atos praticados por um psicopata. A propósito do tema, a revista Super Interessante de maio de 2012, traz como chamada de capa, o título: “Pequenos Psicopatas”. Embora o artigo não aprofunde o bisturi da investigação acerca da gênese do problema, o autor, Eduardo Skalarz, consegue estabelecer seis perfis bem definidos de psicopatas, quais sejam: o impulsivo, o predador, o indiferente, o suicida, o incendiário, o sádico, o assassino serial, o pedófilo e o perverso, entretanto, nem todos os psicopatas são assassinos.

Em torno de cada perfil, Skalarz revela diversas características de personalidade doentia, que invariavelmente se manifestam na infância e não têm perspectiva de cura, trazendo, por isso, mesmo muito sofrimento aos pais. O autor deixa claro que, embora os traços se revelem na infância, a ciência médica só tem condições de oferecer um diagnóstico concreto depois dos 18 anos de idade, quando consegue perceber uma maturação desse distúrbio mental.

Nesse mesmo contexto, a American Psychiatric Association estabelece três critérios que permitem a emissão desse diagnóstico: a incapacidade de adequação às normas sociais, no que diz respeito à conduta legal; presença de falsidade, de impulsividade ou de incapacidade de planejamento antecipado da ação; forte irritabilidade e agressividade, não levando em conta a segurança do próprio e dos outros, revelando total irresponsabilidade e ausência de remorso. Além disso, a psicopatia se caracteriza por uma notória ausência de afetos e incapacidade de expressão de sentimentos.

Não obstante o fato de muitas crianças demonstrarem distúrbios de comportamento, isso não significa que na idade adulta serão psicopatas mas o texto traz depoimentos chocantes de pais angustiados pela situação dos filhos, como por exemplo, o triste depoimento de uma mãe argentina que relata: “Às vezes, eu acordava no meio da noite e ele estava nos observando dormir. Percebi que nos mataria a qualquer momento”.

Naturalmente o tema é largamente estudado à luz da psicologia e da psiquiatria, mas o nosso grande desafio é examiná-lo à luz da Doutrina Espírita, que nos oferece ampliados mecanismos de entendimento sobre a zona do inconsciente ou espiritual, que, como sabemos, nutre e alimenta a estrutura material.

O Dr. Jorge Andréa, ao abordar o assunto na obra “Visão Espírita das Distonias Mentais”, publicada pela Federação Espírita Brasileira – Feb, dedica o Capitulo III ao estudo das doenças mentais e no referido capítulo, examina as personalidades psicopáticas, tratando-as como distúrbios ocasionados pelos desequilíbrios na estrutura do caráter, com marcantes reflexos na vida social.

Ora, desequilíbrios na estrutura do caráter são distúrbios comportamentais do espírito, o que nos leva a concordar que esses transtornos de personalidade estão impressos no Eu, conforme estabelece Jorge Andréa. Portanto, são transtornos mentais de difícil tratamento pelas terapias tradicionais, visto que o espírito ao reencarnar traz consigo esses desajustes estruturais, que se acentuam pelo desenvolvimento das chamadas dores psicológicas. Cabe destacar nesse contexto que o perfil psicopata pode pertencer a qualquer nível social ou profissional, atuando inclusive no mundo corporativo.

Do ponto de vista da análise de personalidade, o psicopata apresenta um perfil superficial, que abriga o chamado Transtorno da Personalidade Antissocial e demonstra uma aparente normalidade. Embora eventualmente possa demonstrar impulsos irresistíveis e alterações parciais de conduta, não são de fácil identificação para os leigos, mas com o tempo percebemos que estes indivíduos são invariavelmente problemáticos.

Quando desencarnados, essas personalidades psicopatas estão identificadas nas obras espíritas e não raramente surgem com pseudo-líderes das hostes que pululam as regiões infelizes, pregam justiça a qualquer preço e caracterizam- -se como estrategistas ou julgadores, demonstram extrema frieza e pobreza de sentimentos, em suma, não diferem em nada dos encarnados inseridos na mesma temática.

Embora a matéria da Superinteressante tenha como pano de fundo crianças psicopatas, cabe observar que o nosso foco está no espírito, independente do corpo que ele ocupa. Se este é infantil ou adulto não importa, pois os distúrbios comportamentais pertencem ao espírito não ao corpo físico, por isso mesmo, devemos estar atentos para a emissão de conceitos equivocados, já que não há nenhum estudo que comprove que uma criança vai tornar-se psicopata quando adulto. Porém, se a criança se comporta de forma cruel com outras crianças, se é cruel com animais, se mente olhando nos olhos e não demonstra remorso, esses sinais apontam para um comportamento distorcido no futuro.

A par disso, na revista Veja, de 1º de abril de 2009, edição 2106, o psicólogo canadense Robert Hare, em entrevista, afirma que “ninguém nasce psicopata. Nasce com tendências para a psicopatia. A psicopatia não é uma categoria descritiva, como ser homem ou mulher, estar vivo ou morto. É uma medida, como altura ou peso, que varia para mais ou para menos”. Depreendemos que é por isso, a diferença de graus de psicopatia e respectivamente de diferentes níveis os índices de maldade humana.

A ausência de consciência é característica marcante nas personalidades psicopatas, por isso mesmo, a ciência médica afirma que a ausência desse atributo permite ao individuo praticar crimes pois eles não conseguem evitar a conduta que os levou a praticar delitos. Acerca do tema, a Doutrina Espírita vem nos ensinar que não existe efeito sem causa, que tudo tem sua razão de ser e que nenhum ataque às leis de Deus fica sem o reparo correspondente.

Conforme a Doutrina Espírita nos ensina, tudo começa na mente e certamente a mente dos psicopatas é um grande painel de inquietações. André Luiz, em Mecanismos da Mediunidade, nos esclarece sobre o funcionamento da mente, como elemento idealizador, onde o pensamento pode materializar-se, plasmando formas de longa duração como resultado da ação das ondas mentais emitidas. Ensina o Espírito André Luiz: “Na mediunidade de efeitos intelectuais, a ideoplastia assume papel extremamente importante, porque certa classe de pensamentos, constantemente repetidos sobre a mente mediúnica menos experimentada, pode constrangê-la a tomar certas imagens, mantidas pela onda mental persistente, como situações e personalidades reais, tal qual uma criança que acreditasse estar contemplando essa paisagem ou aquela pessoa, tão só por ver-lhes o retrato animado num filme”.

A imensurável capacidade biopsíquica do cérebro humano permite que este desenvolva funções capazes de gerar, sinalizar, emitir e captar energias mentais em inúmeras frequências, funcionando de forma semelhante a sofisticado sistema de comunicação que se autoalimenta pela vontade, vitalizando dessa forma todos os centros da alma. Naturalmente essas correntes possuem caráter construtivo e destrutivo e são diretamente proporcionais aos desejos e pensamentos motivadores dessas ações. E, em virtude disso, as infrações cometidas ficam arquivadas nos escaninhos da alma e, de acordo com a gravidade, produzem lesões e distúrbios no mecanismo perispiritual, de forma tal que os efeitos dessas ações afetarão profundamente o seu autor, a ponto de, em muitos casos, reconduzi-los a uma nova encarnação em corpos-prisões, ninguém foge à lei.

Embora os atos dos psicopatas causem grande comoção social, a pena de morte não se justifica sob os princípios do Espiritismo.

Na obra o Homem Integral, o Espírito Joanna de Angelis nos esclarece quanto à nossa postura, afirmando que: “A maldade sistemática, a impiedade, o temperamento hostil revelam as personalidades psicopatas que, antes, necessitam de ajuda, ao invés de reproche. A bondade, neles latente, aguarda o momento de manifestar-se e predominar, mudando-lhes o comportamento. Com tal atitude, a de identificar a bondade, torna-se possível a superação do sofrimento, como quer que se apresente, especialmente o que tem procedência moral”.

A solução que acreditamos, portanto, mesmo para os criminosos de alta periculosidade, genocidas e homicidas é que eles não devem ter suas vidas ceifadas, mas sim isolados da sociedade em prisões do tipo nosocômios (?) judiciários, ou trabalhos retificadores, a fim de que possam de alguma maneira, retribuir de forma positiva à Sociedade, os danos que tenham causado.

Texto contemplado no concurso A Doutrina Explica 2012 - jornal Brasilia Espírita maio a junho de 2015 

Referências:
Livros: 
1. FRANCO, Divaldo P. O Homem Integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. , Salvador, Ed. Alvorada, 1990..
2. XAVIER, Francisco Cândido; Luiz, André (espírito). Nos Domínios da Mediunidade. 29ª Ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977 .
3. ANDRÉA, Jorge. Visão espírita nas distonias mentais, FEB, Brasília, 1990 NOBRE, Marlene R.S. Obsessão e Suas Máscaras. 7ª ed.: Ed. Jornalística Fé, 1997..
4. KARDEC, Allan; O Livro dos Espíritos, FEB

Artigos:
1. American Psychiatric Association - http://allpsych.com/disorders/dsm. html
2. NUNES, Laura Marinha (2011), Sobre a psicopatia e sua avaliação - Laura Marinha Nunes. Docente. Programa de Pós Graduação em Psicologia Jurídica. Universidade Fernando Pessoa. Porto. Portugal; Artigo http://seer.psicologia.ufrj.br/ index.php/abp/article/view/705/548

Periódicos:
1. Revista Superinteressante - maio de 2012, edição 304, Ed. Abril
2. Revista Veja - abril de 2009, edição 2106, Ed. Abril

quinta-feira, 10 de março de 2011

ONDE ESTÁ A VOSSA FÉ?


Warwick Mota

É praticamente impossível eleger entre os vários episódios da vida de Jesus, o que detenha mais importância, ou que traga uma fonte de ensinamento maior, todos eles indistintamente adequam-se e contextualizam-se às mais diversas necessidades de aprendizado do homem.

Particularmente nos chama a atenção nos dias hoje, talvez até pela conjuntura atual do planeta, a passagem que envolve Jesus e seus discípulos na travessia do Lago de Genesaré, narrada pelo evangelista Lucas no cap. VIII, vv. 22 a 25 , o qual transcrevemos a seguir:

“Certo dia, tendo tomado uma barca com seus discípulos, disse-lhes ele: Passemos à outra margem do lago. Partiram então. Durante a travessia, ele adormeceu. - Então, um grande turbilhão de vento se abateu de súbito sobre o lago, de sorte que, enchendo-se d’água a barca, eles se viam em perigo. Aproximaram-se, pois, dele e o despertaram, dizendo-lhe: Mestre, perecemos. Jesus, levantando-se, falou, ameaçador, aos ventos e às ondas agitadas e uns e outras se aplacaram, sobrevindo grande calma. Ele então lhes disse: Onde esta a vossa fé? Eles, porém, cheios de temor e admiração, perguntavam uns aos outros: Quem é este que assim dá ordens ao vento e às ondas, e eles lhe obedecem? ”

Tanto nessa, como em outras passagens do Evangelho marcadas pelos fatos prodigiosos do Mestre, tais como a questão das curas e outros fenômenos promovidos por Ele, trazem, segundo o entendimento das teologias tradicionais elementos caracterizadores dos chamados milagres, os quais a Doutrina Espírita nos esclarece não serem atos sobrenaturais, tampouco milagres, mas apenas a manifestação de um conhecimento imensurável de Jesus Cristo acerca das leis naturais.

Não obstante a importância desse aspecto no estudo do campo científico, é imperioso ressaltar que todos estes eventos trazem também, importantes ensinamentos no campo moral, que são perfeitamente aplicáveis a diversas situações da vida, em que se contextualizam.

Vivemos na atualidade momentos que variam da calmaria aos turbilhões avassaladores que balançam a "nave Terra", na sua travessia rumo a categoria de mundo de regeneração, estas mesmas tempestades, guardando as devidas proporções, refletem-se também na vida pessoal de cada um, balançando as estruturas morais e psicológicas do homem, são os momentos em que nos falece a fé.

Inúmeras vezes durante a nossa trajetória terrena a barca que conduz as nossas vidas é sacudida por ventanias e ondas que promanam dos nossos compromissos do passado e das nossas imperfeições morais que ainda teimam em subsistir, alimentadas pelas dificuldades que temos em nos reformar intimamente. São os filhos problemas, que constituem-se tormentas para pais aflitos e desesperados pelas situações e confusões de toda ordem, criadas por estes jovens descompromissados com valores morais, que em uma grande maioria dos casos não lhes foram ensinados.

São as enfermidades do corpo, que desestabilizam famílias inteiras em virtude, do despreparo de seus membros, ao se desesperarem perante a ameaça da morte ao abrir lentamente a suas asas sombrias, a envolver o enfermo, que em muitos casos malbaratou a saúde em virtude excessos cometidos, ou mesmo, que tal enfermidade constitui-se apenas na aplicação da lei de causa e efeito ou no cumprimento de compromissos já referendados pelo próprio espírito em momentos que precederam a sua reencarnação.

Sejam as dificuldades de natureza financeira, de natureza familiar, ou quaisquer outras, todas parecem a princípio ondas gigantescas a nos tragar as forças e a testar a nossa fé. Falta em nós a mesma confiança que faltou aos discípulos não apenas na passagem da barca, mas também na cura do lunático, na negação de Pedro e no ceticismo de Tomé. Em todos esses momentos o Mestre aproveitou o ensejo para nos ensinar a paciência e nos infundir confiança.

A passagem da barca traz em si, um simbolismo de rara beleza, que ilustra perfeitamente a trajetória do planeta e especialmente a nossa trajetória pessoal pois somos nós os habitantes da Terra, a barca que nos conduz tem como timoneiro o Cristo e como tripulantes os seus prepostos de luz, cabe a nós a confiança plena no timoneiro e em sua tripulação, trabalho e confiança traduzem-se em fé com obras, de tal sorte que diante das dificuldades passageiras o nosso desespero não nos impeça de ver, onde está a nossa fé.

Artigo publicado pela RIE – Revista Internacional de Espiritismo – MATÃO, janeiro 2005 – Editora: O Clarim - www.oclarim.com.br

Bibliografia sugerida
O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap 15 – Allan Kardec – FEB

AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NA CASA ESPÍRITA

Warwick Mota

É de conhecimento comum entre os espíritas as bênçãos e orientações preciosas que a literatura espírita nos contempla, e que versa sobre nossa conduta na condução das tarefas na Seara, bem como, das relações interpessoais mantidas entre os companheiros de ideal cristão.
O cap. 7º, da obra, “Opinião Espírita”, psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos, Emmanuel e André Luiz – ed. CEC, traz, no primeiro e segundo parágrafos as seguintes observações: 
  1.  “O espírita deve ser verdadeiro, mas não agressivo, manejando a verdade a ponto de convertê-la em tacape na pele dos semelhantes”.
  2. “Bom, mas não displicente que chegue favorecer a força do mal, sob o pretexto de cultivar a ternura.”
Sermos verdadeiros e bons, obviamente implica em pontos que cabem observação cuidadosa sobre a postura que devemos tomar em situações que pedem a nossa manifestação mais efetiva, há momentos em que o bom senso e a ponderação são de fundamental importância, saber falar ou o que falar a alguém, implica em saber observar o curso dos fatos, em saber ouvir o outro, em aceitar o outro e a nós mesmos, a verdade não é ferramenta de ataque é antes de tudo uma ferramenta de esclarecimento, quantos melindres poderiam ser evitados se tivéssemos um pouco de tato com as palavras? Também não devemos “passar a mão na cabeça” daqueles que comentem equívocos, isso não quer dizer que devamos fazer juízo de valor daqueles que cometem falhas, existem formas fraternas de orientar sem criticar.

As relações interpessoais no ambiente de trabalho, especialmente no trabalho espírita, requerem uma afinada interação entre as pessoas, isso se faz necessário tendo em vista que em qualquer grupo sempre afluem várias diferenças como conhecimentos em níveis diferentes, informações, opiniões, preconceitos, atitudes, gostos e experiências anteriores, o que provoca em cada situação vivida pelo grupo, uma leitura diferenciada em níveis de percepção, opinião e sentimento em relação à situação compartilhada.

A necessidade de uma boa comunicação entre as partes fica patente em cada processo relacional, e nesse contexto, elementos de auxílio ao processo devem ser utilizados, um bom exemplo são os programas de atendimento e o acolhimento fraterno, que devem ser estendidos também ao público interno da casa, imprimindo assim, qualidade as relações interpessoais.

As casas espíritas, indistintamente, se não tem, deveriam ter um programa de atendimento fraterno para àqueles que chegam pela primeira vez à instituição, é impressionante como este trabalho quando bem orientado funciona bem, o sentimento de acolhimento que o visitante ou iniciante experimenta ao ser recebido de forma acolhedora na Casa, desperta uma sensação de confiança e de bem-estar, porém, a maioria destes programas espelha apenas um lado da moeda, o lado do acolhido, é necessário que se veja também as necessidades do trabalhador.

Poucas casas espíritas destinam um tratamento diferenciado a seu maior patrimônio, os seus trabalhadores, pois estes também passam por dificuldades emocionais, psíquicas e físicas. Quando uma situação-problema é detectada, na maioria das vezes o trabalhador se encontra desestimulado ou descontente com a instituição que frequenta, porque ele próprio não se sente acolhido, falta-lhe em muitos casos o apoio que ele tanto carece, caridade começa em casa, olhamos tanto para aqueles que estão fora, que muitas vezes esquecemos que os grandes necessitados se encontram dentro de casa.

Temos visto ao longo dos anos muitas agremiações espíritas esvaziarem-se, e pasmem, até fecharem as portas por falta de trabalhadores, isso é muito triste, em muitos casos os colaboradores começam um trabalho sério, envolvente, para logo começarem surgir dificuldades, são dirigentes autoritários, personalistas, são os donos de coordenações, que acham que os seus departamentos são um centro espírita à parte, é o “centro dento do centro”, falta a estes, sentimento de equipe, é necessário acabar com esta “síndrome de propriedade”, não somos donos de nada tudo nos é concedido por empréstimo, o trabalho espírita não tem donos apenas colaboradores, independente do cargo que ocupem.

Fraternidade, com certeza este é um sentimento que deve imperar em todas as relações interpessoais, verdade como instrumento de esclarecimento, bondade sem displicência, sem subserviência, firmeza nas posições é fundamental, mas sem a agressividade da imposição, o bom desenvolvimento do trabalho espírita se fundamenta em dois aspectos de grande importância:

a) o aspecto doutrinário, é necessário conhecer a fundo a Doutrina;
b) o aspecto moral, é imperioso buscar sempre o aprimoramento moral, desarmar-se das vaidades.

Temperando estes aspectos com ponderação e bom senso as relações interpessoais darão um grande salto qualitativo que resultará em instituições espíritas cada vez mais humanizadas no relacionamento entre seus pares e mais espiritualizadas em um contexto maior.
Matéria publicada no Jornal O CLARIM, edição de Novembro/2004 Editora: O Clarim - www.oclarim.com.br

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

EVANGELIZEMOS NOSSAS CRIANÇAS

Warwick Mota
"Deixai vir a mim os pequeninos não os impeçais, pois deles é o reino dos céus". - Jesus. (Mateus, 19:14.)

Não induzo meu filho a seguir qualquer religião, quando ele crescer ele mesmo escolhe a doutrina que quer seguir, dizia-me sempre, um determinado amigo.

É prática comum em algumas famílias, inclusive espíritas, esperar que os filhos cresçam, para que definam por si próprios a religião que desejam seguir. Alegam estas, que não tem o direito de interferir na liberdade de escolha dos filhos, que religião é objeto de escolha pessoal e de gosto diversificado, e que o indivíduo tem na idade adulta, maiores condições de definir o que melhor lhe apraz nesse aspecto.

O resultado desse pensamento reflete-se na maioria das vezes, no dia-a-dia de nossa sociedade, onde uma boa parte dos jovens desligados de qualquer sentimento de religiosidade, tem a cabeça voltada apenas para o que eles chamam de "agitos", onde a tônica é dada pelos tóxicos, álcool, sexo e violência como uma forma de auto-afirmação e porque não dizer, de preenchimento do vazio causado por essa falta de religiosidade; sem contar na contribuição funesta, que o jovem tem dado para o aumento das estatísticas de suicídios, onde atualmente ele lidera os índices.

O desconhecimento de valores espirituais aliado a despreocupação dos pais com este fator contribuem de forma contundente para o agravamento deste quadro, resultando muitas vezes, em complicados processos obsessivos e até reencarnatórios, devido a falência das partes envolvidas no contexto.

Buscar o conhecimento dos postulados espíritas, observando-se o aspecto família, implica em outras variáveis, que a priori, visa a conscientização dos pais sobre o grau da responsabilidade assumida perante os Espíritos superiores, com relação àquele espírito que aceitaram como filho na presente encarnação.

Vale ressaltar, que essa responsabilidade não se limita apenas à participação no processo reencarnatório, que basicamente divide-se em duas etapas, que se dão a seguir:

Na parte primeira, dá-se uma sistemática de envolvimento, onde são observados entre outros, os seguintes aspectos: a ficha do reencarnante para que se estabeleça os mapas cármicos, o grau de simpatia ou animosidade com relação aos genitores, a composição de mapas genéticos, o desenvolvimento de reuniões entre as partes no plano espiritual, enfim, todas as medidas que podemos pensar e que não podemos, são tomadas pelos técnicos reencarnacionistas, para que se cumpra o proposto nas Leis Divinas.

A parte segunda seria a condução desse Espírito, já encarnado, pelas mais diversas problemática da vida, seja no campo social, familiar, religioso, proporcionando-lhe meios para que desenvolva em si os aspectos, cognitivo, afetivo, intelectivo, moral, etc...

É tábula rasa para nós espíritas que a primeira infância, que é o período compreendido entre zero aos sete anos, é sem dúvida nenhuma a época em que a criança está mais sensível às sugestões dos pais, é nessa fase que devem ser ministrados através de muito amor e carinho, os conceitos de valores morais e cristãos.

Neste sentido, a evangelização espírita-infantil é de fundamental importância no processo de formação da criança, pois os vícios de personalidade se encontram adormecidos, constrangidos pelo envoltório infantil. O Espírito neste momento é comparado ao terreno fértil da parábola do semeador, as sementes que ali semearmos, germinarão fortes e viçosas, contribuindo de forma preponderante na formação moral do futuro adulto.

Não podemos esquecer que a tarefa da semeadura começa cedo, aos quatro anos a criança já pode ser encaminhada às aulas de evangelização, que parte da seguinte seqüência: inicia-se pelo maternal, dos quatro aos cinco anos, depois o jardim, dos seis aos sete anos, primeiro ao terceiro ciclo da infância que vai dos oito aos treze anos , pré juventude, primeiro e segundo ciclo da juventude, dos catorze aos vinte um anos, e finalmente, depois de uma longa caminhada, por todos esses ciclos, o jovem está pronto para o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.

Ainda a cerca da reencarnação, nos esclarece o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no livro Temas da vida e da Morte, 1ª edição da FEB, página 19 que, "apesar da reencarnação se completar aos sete anos ela ainda vai se fixando lentamente até o momento da transformação da glândula pineal, na sua condição de veladora do sexo".

A esse respeito, André Luiz, no livro Missionários da Luz, 22ª edição da FEB, cap. 2º, nos dá a seguinte informação: "Enquanto no período de desenvolvimento infantil, fase de reajustamento desse centro importante do corpo perispiritual preexistente, a epífise parece constituir freio às manifestações do sexo; entretanto, há que retificar observações.

Aos catorze anos, aproximadamente, de posição estacionária, quanto às suas atribuições essenciais, recomeça a funcionar no homem reencarnado. O que representava controle é fonte criadora e válvula de escapamento. A glândula pineal reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões vividas noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos ".

Diante desse quadro, podemos afirmar que em qualquer família, a fase da puberdade é com certeza uma das mais difíceis para os pais. É nesse momento que o espírito vai começando a reencontrar a sua verdadeira personalidade, iniciando-se com o chamado conflito da adolescência, que pode ser atenuado ou mesmo evitado, com uma bem estruturada educação religiosa na infância.

Deixai vir a mim os pequeninos não os impeçais pois deles é o reino dos céus, disse o Cristo aos apóstolos, que tentavam barrar a passagem de crianças até Ele. O pedido de Jesus, reverbera em nossas consciências, e entendemos que o Mestre pede que não lhes cerceemos os ensinamentos, achando que não os são necessários ainda, que deixemos que eles conheçam o Cristo, logo na infância, que é fase mais pura, mais humilde, onde os corações espargem inocência, e estão mais abertos aos preceitos cristãs.

Pensar na criança é pensar no adulto, portanto, é de vital importância que a Casa Espírita tenha essa preocupação com as crianças e com os jovens, no sentido de promover a evangelização destes, como propõe o Mestre Jesus. A FEB tem demonstrado essa preocupação, participando e promovendo cursos nessa área, é importantíssimo que as Federativas Estaduais também promovam e desenvolvam em suas regiões, programas e cursos nesse intento, não só como meio de suprir a carência de evangelizadores que é muita, como também de conscientizar os dirigentes das Casas Espíritas da importância desse trabalho, e este com certeza não um desejo apenas nosso, mas principalmente do Cristo.

Warwick Mota

(Publicado na revista Reformador de junho de 1996)

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