segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

MINORANDO AS PROVAS ALHEIAS

Por Warwick Mota

A pergunta respondida pelo Espírito Bernardino, no Evangelho Segundo o Espiritismo, é sempre inquietante: “deve-se alguém por termo às provas do seu próximo quando o possa, ou deve, para respeitar os desígnios de Deus, deixar que sigam seu curso?” (1).

À luz da sabedoria, a questão que se coloca é: podemos dar fim às provas por que passa nosso próximo?...

Mais do que poder ou não poder, devemos?!

Essa pergunta, se bem pensada, remete-nos a uma série de largas considerações.

O sofrimento nosso - tanto quanto o alheio - localiza-se, na Terra, no campo das enfermidades, das dificuldades afetivas, dos empeços materiais de toda ordem, tudo fazendo parte do processo de evolução do homem no planeta.

Em primeiro lugar, impende saber que haveremos de viver sob o jugo das aflições, é fato, pois que a Terra nada além é do que pequeno planeta destinado a provas e a expiações.

Toda expiação também estará nos provando, conquanto nem toda provação, aquilo que o Espírito requisita para si, traz, em seu bojo, expiação de alguma espécie. Mas, em ambas as situações, ou nas provas, ou nas expiações, sempre haverá as aflições, porque, no presente estágio espiritual em que nos encontramos, desafios é o de que necessitamos mesmo, para nos melhorarmos.

A dor acontece em todas as famílias e não espera decreto para acontecer.

Não está em dada classe social, nem faz acepção de pessoas.

Todos, de alguma forma, vivenciam-na.

Nesse sentido, consola-nos saber que, quando mais evoluídos, não viveremos dessa forma tão sofrida, porquanto aquele que mais se aproxima da perfeição não necessita expiar, nem precisará ser constantemente provado...

Acerca da questão, se devemos ou não minorar o sofrimento de outrem, o que precisamos entender é que a reencarnação não é casuística para se viger a Lei de Talião, a ultrapassada aplicação do “olho por olho; dente por dente”.

Muito ao contrário: reencarnação é oportunidade para renovação espiritual, embora alguns desavisados possam interpretar mal o ensinamento, explicitado pela Doutrina Espírita, de que há colheita afim ao que se planta, e pensar que “se alguém sofre porque deve, então deve sofrer”...

Mero sofisma que precisa ser combatido!...

Nós não temos o direito, nem jamais o teríamos, de querer estabelecer a Justiça Divina, segundo o nosso conceito amblíope de justiça.

Grande erro!

Não nos cabe, em absoluto, fazer juízo de valor com relação à Justiça Divina.

Também, sob nenhuma hipótese, temos o direito de aprofundar o dedo na ferida do próximo, para agravarmos-lhe as dificuldades.

Esse, o pior dos mundos: chegar-se ao cúmulo de se imiscuir na vida da outra pessoa, para dificultar-lhe a marcha.

Antes de tudo, pensemos na Lei Áurea: façamos, aos outros, aquilo que quereríamos nos fosse feito, conforme nos ensinou Jesus.

Colocando o aprendizado em primeiro plano: os erros que perpetramos no passado, e nos quais ainda incorremos muitas vezes, também haverão de nos cobrar a cota de dor em nossas vidas, mas, nem por isso, abriremos mão de quem nos ajude, nem por isso, por termos resvalado em equívocos passadiços, deixaremos de pedir socorro e refrigério para a nossa alma.

Nisso, não há incongruência de espécie alguma.

Pensemos que o sofrimento por que passa um nosso irmão não tem somente o caráter de adequá-lo às leis naturais da vida, mas deve servir também para nos sensibilizar a todos acerca das dores do nosso próximo, incentivando-nos à busca do que é possível, para minorar esse sofrimento.

Não fosse assim, onde exercitaríamos a fraternidade?

Se nos situarmos na escusa de que o sofrimento pertence a cada um e deve seguir o seu curso, na verdade nada mais estamos do que nos entrincheirando em nosso próprio egoísmo, quando Jesus veio nos ensinar exatamente o oposto, veio nos ensinar a “darmos também a capa, se nos solicitarem a túnica” (2).

Sempre que possível, devemos intervir, sim, para minorar a dor do outro, aprendendo a ajudar sem humilhar.

Esse, também grande aprendizado.

E, o maior: ajudar, antes de a pessoa pedir ajuda, com sutileza, sem ferir, entendendo que a dor do outro, assim como a nossa, é sempre justa, mas, nem por isso, estamos desobrigados de sermos um Cirineu na estrada, aliviando, por pouco que seja, o peso da cruz de quem a carrega.

Talvez aquilo que negamos hoje, ao irmão que tanto necessita, é o que nos faltará amanhã, quando precisarmos também, por nossa vez, curarmos as nossas feridas.
Não fosse assim e admitiríamos por natural a selvageria de vermos a catástrofe desabar à nossa volta, estando nós nos aquietando de braços cruzados, aguardando um desfecho fatídico.

Não é isso que nos ensina a Boa Nova.

Ajudemo-nos em nossas respectivas provações.

Amparemo-nos mutuamente.

Aproveitemos todas as oportunidades, que a vida nos trouxer, de minorar o sofrimento alheio.

Especialmente os espíritas devem compreender a extensão infinita da bondade de Deus, pregando resignação e paciência, mas atuando com fé e bom senso.
Esse é o exercício da fraternidade.

A vivência do amor, conforme Jesus no-lo ensinou, dá-nos ensejo a que exercitemos nossas virtudes, novos valores.

É uma bênção viver servindo, porque esse é o Espiritismo prático, a essência da Doutrina Espírita posta em prática!

E, não duvidemos: nossos irmãos não espíritas, ao nos olharem, veem, em nós, o que é, verdadeiramente, o Espiritismo praticado...

Saiamos um pouco mais de nós, na exemplificação do amor do Cristo.

Talvez a fome maior que haja hoje, na Terra, não seja a de alimento, mas a fome de amor.

Agradeçamos ao Mestre Jesus por seu eterno exemplo de fraternidade e de amor incondicional, tentando, nós mesmos, por nossa vez, depositar alguma flor no campo que margeia a estrada dos outros.

Certamente essas mesmas flores depositadas haverão de, um dia, margear a nossa estrada de conquistas espirituais, adquiridas, uma a uma, por meio de nossas atitudes no bem.

Publicado no Reformador jan/2017- http://www.souleitorespirita.com.br/reformador/

Referências:
1) KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 131ª. ed., Brasília: FEB, 2013. Capítulo V, item 27. Bem aventurados os aflitos, p. 100.
2) Mateus, 5:40

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

ANTES QUE VENHA O ARRASTÃO

Por Warwick Mota


A edição do Reformador, de junho de 2004, trouxe esse sugestivo título, de autoria de Richard Simonetti (1).

O articulista, no órgão de divulgação da FEB, fez alusão à pescaria com o uso de redes. Nessa forma de pescaria, após jogarem a rede ao mar, em determinado espaço de tempo, os pescadores arrastam-na até a praia, para, dali, retirarem os peixes destinados à venda, à alimentação ou à volta ao mar, por inadequados.

O levante da tarrafa à praia para a seleção dos peixes é chamado de arrastão.  

E, no entanto, pelas palavras de Jesus, temos aprendido que “o reino dos céus é semelhante a uma rende lançada ao mar...” (2).

Quando um pescador lança sua rede ao mar, da volta ele aguarda todo tipo de peixe...

Também o projeto divino, executado pela Espiritualidade, é para toda criatura que habita o universo.

Da mesma forma, na Terra, o ensino de Jesus veio para todos os seres humanos, para todos os Espíritos, encarnados ou não, ocupantes de todas as escalas, pedagogicamente organizadas pelo Codificador, em O Livro dos Espíritos (3).

Observemos que, no caso da pescaria, como atividade humana, antes do arrastão, há um período temporal, para que os peixes entrem nas malhas, que lhe são proporcionais aos portes. Quando a rede está pronta, puxam-na até a praia.

Conosco ocorre também o mesmo...

Espíritos em processo de desenvolvimento, em alguns momentos de nossa trajetória, todos seremos convidados à praia da vida, para a apuração de nosso próprio desenvolvimento.

O tempo que o pescador aguarda, para arrastar sua rede até a praia, pode ser comparado ao tempo concedido à população de cada orbe, para que se ajuste ao desenvolvimento necessário ao ascender da vida.

Dado o tempo, o pescador arrasta a tarrafa.

Passado certo tempo, contado aos milênios, um planeta também precisa ascender na escala dos mundos. Nesse momento, então, nas malhas da própria consciência, cada ser humano responde, na praia da própria existência, por si mesmo e por sua adequação ou não para estar no novo estágio que advirá, ao planeta onde se encontra.

Vejamos que Jesus fez suas comparações em termos simples, para que todos o entendessem.

A separação do joio e do trigo é uma referência clara ao tempo de transição planetária. Crescidos lado a lado, dois homens assim estarão, até que, esgotado o tempo possível a essa convivência, sofrível para um, talvez desperdiçada pelo outro, então eles serão separados pelas moradas planetárias, porque, se o planeta dá um salto em termos de moralidade, é porque seus habitantes estão espelhando isso.

E aquele habitante que não se coaduna com essa realidade, a nova casa planetária certamente deverá ser encaminhado.

Fato é que, nos dias de hoje, muitos de nós apresentamos elevado nível técnico, mas não temos o mesmo nível moral.

Então este é o momento de buscarmos valores morais para o nosso Espírito, porque temos andado desatentos. Absolutamente desatentos.

Dessa forma, antes que venha o arrastão para a Terra, façamos um paralelo, um exercício, entre os ensinamentos de Jesus, que devem nos empolgar, e nossa verdadeira prática!

É preciso aferir se, realmente, temos aprendido o que temos ouvido.

De nada adianta muito sabermos se, moralmente, não saímos do lugar.

O momento de transição planetária é certamente o momento de a Espiritualidade olhar para muitos de nós e perguntar: “Como classificar o aluno que estuda indefinidamente, sem jamais aprender?!”

Não podemos ser crianças espirituais eternas!

A nós, espíritas, em especial, não nos é dado alegar desconhecimento de verdade espiritual alguma, porquanto os ensinamentos nos são apresentados a todo instante. Precisamos viver em conformidade com o que apregoamos, seja no lar, no ambiente profissional, no próprio templo espírita.

Não queiramos que, acerca de nós, em especial, nesses momentos de transição, a Espiritualidade tenha de se perguntar: “Como classificar o homem que prega, sem jamais experimentar?!...”

Se jamais experimentamos o que dizemos, seja em favor de nós mesmos, seja em benefício do próximo, na assistência social, nas esferas da caridade, na via mediúnica, como seremos classificados, na separação do trigo bom e do joio ruim?!

Este é o momento de colocarmos em prática, de maneira estreita, tudo o que já temos aprendido.

Nem precisamos mais falar que este é o momento definitivo da opção pela vida reta, iluminada pelas oportunidades de estudo e de trabalho.

Antes que venha o arrastão na Terra, aprimoremos nossa asa moral, para não termos de retornar a orbes primitivos, de onde já saímos um dia.

Antes que seja passada a rede planetária, que já acontece num processo natural, sem data definida, preparemo-nos para estarmos em bons cestos, como o trigo bom, jamais em cestos menos felizes ainda, com maiores dificuldades do que aquelas que todos já temos enfrentado.

Não há dia marcado para a separação dos peixes arrastados à praia. Disso não precisamos ter medo algum, mas sabemos que o momento é de oportunidade para mudarmos hábitos menos felizes.

Especialmente nós, os espíritas, temos de enfrentar nossa obrigação de burilar nosso aspecto moral, de reconhecermos nossos defeitos, de trabalharmos nossos erros e buscarmos, em Jesus, nossas reflexões e nossa autoeducação.

Isso, antes que venha o arrastão.

Publicado na RIE/nov-2016
Referências:
1)    Reformador. Antes que venha o arrastão. Artigo de Richard Simonetti. Junho 2004, p. 216 (encadernação). Disponível em http://www.sistemas.febnet.org.br/acervo/revistas/2004/WebSearch/page.php?pagina=201. Acesso em 17 de abril de 2016.
2)    Mateus, 13:47.
3)    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 83ª. ed., 2002, questão 100.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

TRABALHANDO HABITOS

Por Warwick Mota


De uma mensagem (1), psicografada por Francisco Cândido Xavier, sob a qual o Espírito autor não se identificou, retiremos pequeno trecho:
A Mente é meu Lar. O Coração é meu Templo. (...)

O Amor é minha Lei. (...)

A Experiência é minha Escola. (...).

A Perfeição é meu Destino.

Desse belo poema, se empreendermos minucioso exame, poderemos dimensionar a questão da evolução, em seus diversos aspectos.
Analisando essa mensagem, observamos que hábito e destino interagem profundamente, pois é na rotina estabelecida que traçamos o nosso futuro.
O hábito predispõe aos costumes, que, sendo salubres ou insalubres, anunciam o nosso destino.
Triste é que, em nosso atual estágio evolutivo, nossos hábitos têm sido, a mais das vezes, insalubres.
Mas, no princípio não era assim...
Como sabemos, fomos criados simples, ignorantes, sem qualquer saber (2).
Em nossa simplicidade inicial, não apresentávamos maus hábitos, pois nosso primeiro estágio era em contato com o mundo natural.
É no avançar como Espíritos que vamos fazendo nossas escolhas.
E nosso livre arbítrio vai sempre nos permitir as boas ou más escolhas.
Vai nos possibilitar tomar as boas ou más atitudes. Assumir, diante da vida, bons ou maus hábitos.
Lamentavelmente, vamos adicionando, à vontade, a paixão, que é o excesso em tudo.
É a paixão que nos traz o sentimento de posse, que avança até a nossa relação com as pessoas, para além de coisas.
É esse excesso no sentir que nos induz ao apego a tudo.
Aí entendemos que o desejo de possuir, quando descontrolado, pode nos levar à insanidade, a ponto de deixarmos de lado nosso crescimento moral, somente para buscarmos, nos bens materiais, a loucura da satisfação de desejos egoísticos.
O excesso, que colocamos na vontade, traduz-se em apego, revelando a faceta humana mais cruel: nossa postura egocêntrica e egoísta de viver.
É certo: dentre as dificuldades que encontramos, quando encarnados, o egoísmo é o defeito mais difícil de ser combatido, em função de que esse sentimento, tão atrasado, imanta o Espírito diretamente à matéria.
É o egoísmo uma doença moral que o homem carrega consigo há milênios.
Demonstração dessa ênfase à matéria, em detrimento do que é espiritual, aparece, muito claramente, quando Pilatos pergunta, a Jesus, se ele era rei... (3).
Diante do Cristo, a alma mais elevada que já pisou sobre a Terra, Pilatos simplesmente se apega a questões materiais, temporais...
- Tu és rei?
Ele pergunta.
E o Mestre volta-se a explicar a ele que o reino dele não é deste mundo...
A questão é que, na verdade, o que é espiritual, em nossos hábitos arragaidos ao que é transitório, temos deixado de lado.
E, sempre, vimos nos ligando à matéria, colocando-a como elemento substancial, esquecendo-nos do que é verdadeiramente essencial à vida.
Maus hábitos somente serão verdadeiramente combatidos com a ferramenta chamada reforma íntima, reforma interior.
Somente conseguiremos chegar bem à vida futura, quando conseguirmos usar bem essa ferramenta.
Temos vindo, até agora, como embarcações frouxas, ao gosto da correnteza dos hábitos.
Vimos seguindo, em encarnações sucessivas, num reiterado processo de viciação.
De fato: são vários hábitos, manias, vícios e apegos que nos prendem a situações, coisas ou pessoas e nos impedem de nos avançarmos em termos evolutivos. Por exemplo: o hábito de falar demais, num processo de interlocução, onde o outro não consegue falar;
ou o vício de consumir excessivamente, para compensar outras dificuldades; ou a mania de se lamentar de tudo e de todos, vitimizando-se, para chamar a atenção dos outros.
Nosso atraso evolutivo está patente também no hábito de se achar sempre certo. Ou no péssimo hábito de querer dar sempre a última palavra.
Ou, ainda, na mania de grandeza de achar que os outros têm sempre de vir até nós, quando Jesus não nos ensinou assim...
Todos esses problemas compõem um arcabouço de dificuldades morais traduzidas em hábitos perniciosos, que precisam ser combatidos, mesmo quando se manifestam em clichês arrogantes, com os quais nos acostumamos – como o que diz “eu não levo desaforo para casa” - tanto quanto se manifestam nas próprias atitudes intoleráveis, como a do tirano doméstico, detestado entre os seus.
Estão nossos maus hábitos arraigados apresentando-se também no trânsito, na via pública, quando achamos que só nós temos compromissos importantes, e não deixamos o outro passar, nem entrar na nossa frente, e reclamamos quando temos de parar, seja no sinal, seja para o pedestre, seja num cruzamento.
Precisamos ver que os maus hábitos, ao final, sempre nos colocam em situações de sofrimento, seja conosco mesmos, porque nos percebemos estagnados, quando poderíamos estar avançando, seja na relação com os demais, porque acabamos ferindo ou magoando muitas vezes até mesmo quem mais amamos.
Para combatermos os vícios que ainda carregamos, precisamos de coragem.
Um bom começo é reconhecermos o que ainda vive em nós e que sentimos.
É arrogância, esse sentimento que se aloja em nosso íntimo?
É egoísmo, o que estamos sentindo?
Isso que nos invade neste instante, seria prepotência?
Talvez ciúme?
Esse tipo de autoconhecimento, quando sinceramente buscado, vai nos ajudar a trabalhar nossas emoções, nossos sentimentos malbaratados, nossos hábitos e costumes maus.
Estamos mascarando quais sentimentos reais, por trás das nossas atitudes?
Para tomarmos a paz que Jesus nos deixa, precisamos nos conhecer!...
Para recebermos o legado que Jesus nos oferece, é preciso estarmos num caminho de transformação.
Nossas dificuldades exteriorizam-se através dos hábitos ruins. Isso é inegável.
Estão nas ironias, no senso de superioridade, na não responsabilização diante dos erros, no fanatismo.
Só conseguiremos superar tudo isso, se buscarmos o exemplo do Cristo e nos decidirmos a segui-lo.
Só assim conseguiremos iniciar relações simbióticas, em patamares verdadeiros, porque as mudanças surgem de dentro para fora, não o contrário. Mesmo que ocorram lentamente.
É de pensarmos: já que o outro é meu espelho, se eu me tornar passível de ter bons hábitos e atitudes, receberei isso do meu igual!...
Um bom início é deixarmos florir, em nós, o amor.
E, se esse processo for vagaroso, não importa: “A Perfeição é meu Destino” (4).

Publicado no Reformador nov/2016 - http://www.souleitorespirita.com.br/reformador/

Referências:

1)    XAVIER, Francisco Cândido, citado por ABRANCHES, Carlos Augusto. (Por: O Espírito). Vozes do Espírito. Rio de Janeiro: FEB, 1997, 2ª. ed. p. 23.

2)    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1991, 71ª. ed., p. 95.

3)    João, 18:37.

4)    XAVIER, Francisco Cândido, citado por ABRANCHES, Carlos Augusto. (Por: O Espírito). Vozes do Espírito. Rio de Janeiro: FEB, 1997, 2ª. ed. p. 23.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

CASAMENTOS NA TERRA E AS UNIÕES INFELIZES

Por Warwick Mota

Vamos falar sobre as uniões afetivas na Terra.

Atualmente, o de que todos nós temos notícia são histórias e mais histórias de casamentos que se desfazem por motivos fúteis, questões banais, e, por outro lado, lamentavelmente vemos pessoas consorciarem-se buscando, equivocadamente, nas uniões, a solução para problemas pessoais.

Quando vemos almas, em diferentes graus de evolução moral, unidas em compromissos de muito sofrimento, surge-nos, num átimo, o questionamento, tão natural: por que tantos desencontros?
Examinando de maneira mais detida a questão, vamos perceber que, na Terra, há variados tipos de uniões.
Martins Peralva, na obra “Estudando a mediunidade”, de maneira muito didática (1), ensina-nos a localizar as uniões terrenas como acidentais, provacionais, sacrificiais, afins ou transcendentes.

Uniões acidentais
A união acidental é aquela que se dá mesmo por acaso. É a paixão fulminante que, na verdade, camufla incontido impulso sexual.
Muitas vezes, levadas pelo instinto, as pessoas vêm a se unir, gerando compromissos sérios para ambas, especialmente quando trazem ao mundo uma terceira pessoa, um filho.

Esta é uma união acidentada mesmo.

Após o “enfim sós”, no momento em que principia a convivência, as pessoas logo percebem que escolheram mal o parceiro...

Joanna de Ângelis, quando examina a questão dos encontros apenas baseados na satisfação dos apetites ainda animalizados que o ser humano carrega, explica que o “sexo, em si mesmo, sem os condimentos do amor, é impulso violento e fugaz” (2).

E, porque fugaz, o sexo desvinculado do compromisso afetivo torna também as relações, onde ele se impõe como causa primeira, quase que insustentáveis, na esteira do tempo.

Se o compromisso foi instituído a partir desse molde, da mera busca de sensações, então as pessoas ligam-se pela mesma vibração, num acumpliciamento que se traduz na mera associação de energias. Aí reside, com altíssima probabilidade, a infelicidade de ambos os cônjuges, que se buscaram apenas para a satisfação de sensações corpóreas.

Não obstante ser, literalmente, um acidente de percursos, a união acidental também gera vínculos, porque o objetivo da humanidade é crescer como família universal, e é no cadinho da convivência que aprendemos e evoluímos.

Vejamos que, de tudo, a Providência Divina tira um bem.

Se a união foi um acidente, ainda assim, na usina das relações, encontramos oportunidade de exercitarmos as virtudes, examinarmos comportamentos e, com o aprendizado oriundo do erro perpetrado, podemos ir diminuindo os vícios morais e aprendendo a nos conhecer, analisando nosso comportamento e atitudes.

Uniões provacionais
Então temos os casamentos provacionais. Estes são um convite ao reajuste.

Durante nossa caminhada evolutiva, cometemos variados tipos de erros, vitimando pessoas com o nosso egoísmo, com o nosso orgulho, com nossa conduta mal intencionada.

É aí que voltam a nós, esses companheiros de jornada, na condição de cônjuges, nas uniões provacionais, para o necessário ajuste de contas.

Nossos equívocos geram conseqüências na vida das outras pessoas e precisamos, para estarmos quites com a nossa consciência, resgatar os erros e, por que não dizer, os crimes do passado, numa célula abençoada chamada família.

A família é o laboratório por excelência para aprimorarmos nosso comportamento, resgatando, pela via do amor, o mal que porventura tenhamos cometido contra o nosso próximo.

Os casamentos provacionais são, em nosso estágio evolutivo, os que superabundam na sociedade. Sem dúvida, são a tipologia em maior escala.

Nos casamentos provacionais, tudo está em xeque: a impaciência, o descuido, a deseducação, o desmazelo com a relação. Tudo precisa ser visto e tratado no dia a dia.
Pensemos que, se o outro nos parece insuportável, nós também, talvez, não sejamos, na realidade, exatamente como a outra pessoa sonhou ou desejou...

Uniões sacrificiais
Há também o casamento sacrificial.

Representa a instância de reencontro entre a alma iluminada e outra, alma ainda inferiorizada, em que a mais avançada tem o ensejo de impulsionar a redenção da que ficou para trás, na caminhada evolutiva. É que, na trajetória espiritual de ambos, enquanto um se perdeu pelo caminho, o outro evoluiu.

Em muitos lares testemunhamos esse tipo de relação. São aqueles casos de esposas meigas, verdadeiras flores, ao lado de maridos afetivamente secos. Ou de homens que são esposos e pais absolutos, suportando mulheres que não conseguem se conter ou se equilibrar em nenhuma situação.

Uniões afins
E aí temos os casamentos afins, que representa o reencontro de corações amigos, para consolidação dos afetos.

São uniões harmônicas.

Casamentos afins ocorrem com almas que vêm de longa data desenvolvendo um trabalho espiritual.

Uniões transcendentes
E, por fim, saltam aos olhos as uniões transcendentes.
Raríssimas num planeta como o nosso, ocorrem quando duas almas, em alto patamar evolutivo, retornam juntas, para, lado a lado, cumprirem grandes missões.
****

Então sabemos que até mesmo no caso dos casamentos acidentais, os espíritos assumem um compromisso, a partir da união oficializada, e, daí em diante, haverão de se encontrar e reencontrar, em diferentes papéis, em sua caminhada evolutiva.

Assim podemos perceber que toda relação humana traz uma oportunidade de crescimento, que pode ser bem aproveitada, para desenvolvimento afetivo.

Há pessoas que tentam, em diversas uniões, encontrarem a pessoa certa, quando, na verdade, elas mesmas é que deveriam se trabalhar, burilando as próprias imperfeições, para, com quem estiverem, serem, sim, sempre, em uniões duradouras, as pessoas, senão certas, ao menos acertadas.

Todo relacionamento estável, aí não importando se veio de forma acidental, se é provacional, se exige sacrifício ou se é harmônico e belo, precisa ser adubado por ambos os cônjuges, cotidianamente.  A conquista do dia a dia e o cuidado permanente com a relação é que vão proporcionar o crescimento do respeito e do amor, em sua concepção mais abrangente.

Publicado na RIE – Revista Internacional de Espiritismo – Set/2016
https://www.oclarim.org/oclarim/materias/4870/revista/2016/Setembro/casamentos-na-terra-e-unioes-infelizes.html

Referências:

1)    Martins Peralva, citado por Gerson Monteiro em “Confira se seu casamento é provacional”. Disponível em http://www.correioespirita.org.br/categoria-de-materias/artigos-diversos/1366-confira-se-seu-casamento-e-provacional-ou  . Acesso  em 21 de fev. 2016.

2)    FRANCO, Divaldo (Pelo Espírito Joanna de Ângelis). Amor, imbatível amor. 16ª. ed. Salvador, Leal, 2013, p. 26 (Série Psicológica, vol 9).

ECOLOGIA E ESPIRITISMO

Por Warwick Mota    Vivenciamos na atualidade o limiar de uma grande transição: eventos sociais e físicos eclodem em todo o planeta demonstr...