quinta-feira, 10 de março de 2011

ONDE ESTÁ A VOSSA FÉ?


Warwick Mota

É praticamente impossível eleger entre os vários episódios da vida de Jesus, o que detenha mais importância, ou que traga uma fonte de ensinamento maior, todos eles indistintamente adequam-se e contextualizam-se às mais diversas necessidades de aprendizado do homem.

Particularmente nos chama a atenção nos dias hoje, talvez até pela conjuntura atual do planeta, a passagem que envolve Jesus e seus discípulos na travessia do Lago de Genesaré, narrada pelo evangelista Lucas no cap. VIII, vv. 22 a 25 , o qual transcrevemos a seguir:

“Certo dia, tendo tomado uma barca com seus discípulos, disse-lhes ele: Passemos à outra margem do lago. Partiram então. Durante a travessia, ele adormeceu. - Então, um grande turbilhão de vento se abateu de súbito sobre o lago, de sorte que, enchendo-se d’água a barca, eles se viam em perigo. Aproximaram-se, pois, dele e o despertaram, dizendo-lhe: Mestre, perecemos. Jesus, levantando-se, falou, ameaçador, aos ventos e às ondas agitadas e uns e outras se aplacaram, sobrevindo grande calma. Ele então lhes disse: Onde esta a vossa fé? Eles, porém, cheios de temor e admiração, perguntavam uns aos outros: Quem é este que assim dá ordens ao vento e às ondas, e eles lhe obedecem? ”

Tanto nessa, como em outras passagens do Evangelho marcadas pelos fatos prodigiosos do Mestre, tais como a questão das curas e outros fenômenos promovidos por Ele, trazem, segundo o entendimento das teologias tradicionais elementos caracterizadores dos chamados milagres, os quais a Doutrina Espírita nos esclarece não serem atos sobrenaturais, tampouco milagres, mas apenas a manifestação de um conhecimento imensurável de Jesus Cristo acerca das leis naturais.

Não obstante a importância desse aspecto no estudo do campo científico, é imperioso ressaltar que todos estes eventos trazem também, importantes ensinamentos no campo moral, que são perfeitamente aplicáveis a diversas situações da vida, em que se contextualizam.

Vivemos na atualidade momentos que variam da calmaria aos turbilhões avassaladores que balançam a "nave Terra", na sua travessia rumo a categoria de mundo de regeneração, estas mesmas tempestades, guardando as devidas proporções, refletem-se também na vida pessoal de cada um, balançando as estruturas morais e psicológicas do homem, são os momentos em que nos falece a fé.

Inúmeras vezes durante a nossa trajetória terrena a barca que conduz as nossas vidas é sacudida por ventanias e ondas que promanam dos nossos compromissos do passado e das nossas imperfeições morais que ainda teimam em subsistir, alimentadas pelas dificuldades que temos em nos reformar intimamente. São os filhos problemas, que constituem-se tormentas para pais aflitos e desesperados pelas situações e confusões de toda ordem, criadas por estes jovens descompromissados com valores morais, que em uma grande maioria dos casos não lhes foram ensinados.

São as enfermidades do corpo, que desestabilizam famílias inteiras em virtude, do despreparo de seus membros, ao se desesperarem perante a ameaça da morte ao abrir lentamente a suas asas sombrias, a envolver o enfermo, que em muitos casos malbaratou a saúde em virtude excessos cometidos, ou mesmo, que tal enfermidade constitui-se apenas na aplicação da lei de causa e efeito ou no cumprimento de compromissos já referendados pelo próprio espírito em momentos que precederam a sua reencarnação.

Sejam as dificuldades de natureza financeira, de natureza familiar, ou quaisquer outras, todas parecem a princípio ondas gigantescas a nos tragar as forças e a testar a nossa fé. Falta em nós a mesma confiança que faltou aos discípulos não apenas na passagem da barca, mas também na cura do lunático, na negação de Pedro e no ceticismo de Tomé. Em todos esses momentos o Mestre aproveitou o ensejo para nos ensinar a paciência e nos infundir confiança.

A passagem da barca traz em si, um simbolismo de rara beleza, que ilustra perfeitamente a trajetória do planeta e especialmente a nossa trajetória pessoal pois somos nós os habitantes da Terra, a barca que nos conduz tem como timoneiro o Cristo e como tripulantes os seus prepostos de luz, cabe a nós a confiança plena no timoneiro e em sua tripulação, trabalho e confiança traduzem-se em fé com obras, de tal sorte que diante das dificuldades passageiras o nosso desespero não nos impeça de ver, onde está a nossa fé.

Artigo publicado pela RIE – Revista Internacional de Espiritismo – MATÃO, janeiro 2005 – Editora: O Clarim - www.oclarim.com.br

Bibliografia sugerida
O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap 15 – Allan Kardec – FEB

AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NA CASA ESPÍRITA

Warwick Mota

É de conhecimento comum entre os espíritas as bênçãos e orientações preciosas que a literatura espírita nos contempla, e que versa sobre nossa conduta na condução das tarefas na Seara, bem como, das relações interpessoais mantidas entre os companheiros de ideal cristão.
O cap. 7º, da obra, “Opinião Espírita”, psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos, Emmanuel e André Luiz – ed. CEC, traz, no primeiro e segundo parágrafos as seguintes observações: 
  1.  “O espírita deve ser verdadeiro, mas não agressivo, manejando a verdade a ponto de convertê-la em tacape na pele dos semelhantes”.
  2. “Bom, mas não displicente que chegue favorecer a força do mal, sob o pretexto de cultivar a ternura.”
Sermos verdadeiros e bons, obviamente implica em pontos que cabem observação cuidadosa sobre a postura que devemos tomar em situações que pedem a nossa manifestação mais efetiva, há momentos em que o bom senso e a ponderação são de fundamental importância, saber falar ou o que falar a alguém, implica em saber observar o curso dos fatos, em saber ouvir o outro, em aceitar o outro e a nós mesmos, a verdade não é ferramenta de ataque é antes de tudo uma ferramenta de esclarecimento, quantos melindres poderiam ser evitados se tivéssemos um pouco de tato com as palavras? Também não devemos “passar a mão na cabeça” daqueles que comentem equívocos, isso não quer dizer que devamos fazer juízo de valor daqueles que cometem falhas, existem formas fraternas de orientar sem criticar.

As relações interpessoais no ambiente de trabalho, especialmente no trabalho espírita, requerem uma afinada interação entre as pessoas, isso se faz necessário tendo em vista que em qualquer grupo sempre afluem várias diferenças como conhecimentos em níveis diferentes, informações, opiniões, preconceitos, atitudes, gostos e experiências anteriores, o que provoca em cada situação vivida pelo grupo, uma leitura diferenciada em níveis de percepção, opinião e sentimento em relação à situação compartilhada.

A necessidade de uma boa comunicação entre as partes fica patente em cada processo relacional, e nesse contexto, elementos de auxílio ao processo devem ser utilizados, um bom exemplo são os programas de atendimento e o acolhimento fraterno, que devem ser estendidos também ao público interno da casa, imprimindo assim, qualidade as relações interpessoais.

As casas espíritas, indistintamente, se não tem, deveriam ter um programa de atendimento fraterno para àqueles que chegam pela primeira vez à instituição, é impressionante como este trabalho quando bem orientado funciona bem, o sentimento de acolhimento que o visitante ou iniciante experimenta ao ser recebido de forma acolhedora na Casa, desperta uma sensação de confiança e de bem-estar, porém, a maioria destes programas espelha apenas um lado da moeda, o lado do acolhido, é necessário que se veja também as necessidades do trabalhador.

Poucas casas espíritas destinam um tratamento diferenciado a seu maior patrimônio, os seus trabalhadores, pois estes também passam por dificuldades emocionais, psíquicas e físicas. Quando uma situação-problema é detectada, na maioria das vezes o trabalhador se encontra desestimulado ou descontente com a instituição que frequenta, porque ele próprio não se sente acolhido, falta-lhe em muitos casos o apoio que ele tanto carece, caridade começa em casa, olhamos tanto para aqueles que estão fora, que muitas vezes esquecemos que os grandes necessitados se encontram dentro de casa.

Temos visto ao longo dos anos muitas agremiações espíritas esvaziarem-se, e pasmem, até fecharem as portas por falta de trabalhadores, isso é muito triste, em muitos casos os colaboradores começam um trabalho sério, envolvente, para logo começarem surgir dificuldades, são dirigentes autoritários, personalistas, são os donos de coordenações, que acham que os seus departamentos são um centro espírita à parte, é o “centro dento do centro”, falta a estes, sentimento de equipe, é necessário acabar com esta “síndrome de propriedade”, não somos donos de nada tudo nos é concedido por empréstimo, o trabalho espírita não tem donos apenas colaboradores, independente do cargo que ocupem.

Fraternidade, com certeza este é um sentimento que deve imperar em todas as relações interpessoais, verdade como instrumento de esclarecimento, bondade sem displicência, sem subserviência, firmeza nas posições é fundamental, mas sem a agressividade da imposição, o bom desenvolvimento do trabalho espírita se fundamenta em dois aspectos de grande importância:

a) o aspecto doutrinário, é necessário conhecer a fundo a Doutrina;
b) o aspecto moral, é imperioso buscar sempre o aprimoramento moral, desarmar-se das vaidades.

Temperando estes aspectos com ponderação e bom senso as relações interpessoais darão um grande salto qualitativo que resultará em instituições espíritas cada vez mais humanizadas no relacionamento entre seus pares e mais espiritualizadas em um contexto maior.
Matéria publicada no Jornal O CLARIM, edição de Novembro/2004 Editora: O Clarim - www.oclarim.com.br

 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

EVANGELIZEMOS NOSSAS CRIANÇAS

Warwick Mota
"Deixai vir a mim os pequeninos não os impeçais, pois deles é o reino dos céus". - Jesus. (Mateus, 19:14.)

Não induzo meu filho a seguir qualquer religião, quando ele crescer ele mesmo escolhe a doutrina que quer seguir, dizia-me sempre, um determinado amigo.

É prática comum em algumas famílias, inclusive espíritas, esperar que os filhos cresçam, para que definam por si próprios a religião que desejam seguir. Alegam estas, que não tem o direito de interferir na liberdade de escolha dos filhos, que religião é objeto de escolha pessoal e de gosto diversificado, e que o indivíduo tem na idade adulta, maiores condições de definir o que melhor lhe apraz nesse aspecto.

O resultado desse pensamento reflete-se na maioria das vezes, no dia-a-dia de nossa sociedade, onde uma boa parte dos jovens desligados de qualquer sentimento de religiosidade, tem a cabeça voltada apenas para o que eles chamam de "agitos", onde a tônica é dada pelos tóxicos, álcool, sexo e violência como uma forma de auto-afirmação e porque não dizer, de preenchimento do vazio causado por essa falta de religiosidade; sem contar na contribuição funesta, que o jovem tem dado para o aumento das estatísticas de suicídios, onde atualmente ele lidera os índices.

O desconhecimento de valores espirituais aliado a despreocupação dos pais com este fator contribuem de forma contundente para o agravamento deste quadro, resultando muitas vezes, em complicados processos obsessivos e até reencarnatórios, devido a falência das partes envolvidas no contexto.

Buscar o conhecimento dos postulados espíritas, observando-se o aspecto família, implica em outras variáveis, que a priori, visa a conscientização dos pais sobre o grau da responsabilidade assumida perante os Espíritos superiores, com relação àquele espírito que aceitaram como filho na presente encarnação.

Vale ressaltar, que essa responsabilidade não se limita apenas à participação no processo reencarnatório, que basicamente divide-se em duas etapas, que se dão a seguir:

Na parte primeira, dá-se uma sistemática de envolvimento, onde são observados entre outros, os seguintes aspectos: a ficha do reencarnante para que se estabeleça os mapas cármicos, o grau de simpatia ou animosidade com relação aos genitores, a composição de mapas genéticos, o desenvolvimento de reuniões entre as partes no plano espiritual, enfim, todas as medidas que podemos pensar e que não podemos, são tomadas pelos técnicos reencarnacionistas, para que se cumpra o proposto nas Leis Divinas.

A parte segunda seria a condução desse Espírito, já encarnado, pelas mais diversas problemática da vida, seja no campo social, familiar, religioso, proporcionando-lhe meios para que desenvolva em si os aspectos, cognitivo, afetivo, intelectivo, moral, etc...

É tábula rasa para nós espíritas que a primeira infância, que é o período compreendido entre zero aos sete anos, é sem dúvida nenhuma a época em que a criança está mais sensível às sugestões dos pais, é nessa fase que devem ser ministrados através de muito amor e carinho, os conceitos de valores morais e cristãos.

Neste sentido, a evangelização espírita-infantil é de fundamental importância no processo de formação da criança, pois os vícios de personalidade se encontram adormecidos, constrangidos pelo envoltório infantil. O Espírito neste momento é comparado ao terreno fértil da parábola do semeador, as sementes que ali semearmos, germinarão fortes e viçosas, contribuindo de forma preponderante na formação moral do futuro adulto.

Não podemos esquecer que a tarefa da semeadura começa cedo, aos quatro anos a criança já pode ser encaminhada às aulas de evangelização, que parte da seguinte seqüência: inicia-se pelo maternal, dos quatro aos cinco anos, depois o jardim, dos seis aos sete anos, primeiro ao terceiro ciclo da infância que vai dos oito aos treze anos , pré juventude, primeiro e segundo ciclo da juventude, dos catorze aos vinte um anos, e finalmente, depois de uma longa caminhada, por todos esses ciclos, o jovem está pronto para o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita.

Ainda a cerca da reencarnação, nos esclarece o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no livro Temas da vida e da Morte, 1ª edição da FEB, página 19 que, "apesar da reencarnação se completar aos sete anos ela ainda vai se fixando lentamente até o momento da transformação da glândula pineal, na sua condição de veladora do sexo".

A esse respeito, André Luiz, no livro Missionários da Luz, 22ª edição da FEB, cap. 2º, nos dá a seguinte informação: "Enquanto no período de desenvolvimento infantil, fase de reajustamento desse centro importante do corpo perispiritual preexistente, a epífise parece constituir freio às manifestações do sexo; entretanto, há que retificar observações.

Aos catorze anos, aproximadamente, de posição estacionária, quanto às suas atribuições essenciais, recomeça a funcionar no homem reencarnado. O que representava controle é fonte criadora e válvula de escapamento. A glândula pineal reajusta-se ao concerto orgânico e reabre seus mundos maravilhosos de sensações e impressões na esfera emocional. Entrega-se a criatura à recapitulação da sexualidade, examina o inventário de suas paixões vividas noutra época, que reaparecem sob fortes impulsos ".

Diante desse quadro, podemos afirmar que em qualquer família, a fase da puberdade é com certeza uma das mais difíceis para os pais. É nesse momento que o espírito vai começando a reencontrar a sua verdadeira personalidade, iniciando-se com o chamado conflito da adolescência, que pode ser atenuado ou mesmo evitado, com uma bem estruturada educação religiosa na infância.

Deixai vir a mim os pequeninos não os impeçais pois deles é o reino dos céus, disse o Cristo aos apóstolos, que tentavam barrar a passagem de crianças até Ele. O pedido de Jesus, reverbera em nossas consciências, e entendemos que o Mestre pede que não lhes cerceemos os ensinamentos, achando que não os são necessários ainda, que deixemos que eles conheçam o Cristo, logo na infância, que é fase mais pura, mais humilde, onde os corações espargem inocência, e estão mais abertos aos preceitos cristãs.

Pensar na criança é pensar no adulto, portanto, é de vital importância que a Casa Espírita tenha essa preocupação com as crianças e com os jovens, no sentido de promover a evangelização destes, como propõe o Mestre Jesus. A FEB tem demonstrado essa preocupação, participando e promovendo cursos nessa área, é importantíssimo que as Federativas Estaduais também promovam e desenvolvam em suas regiões, programas e cursos nesse intento, não só como meio de suprir a carência de evangelizadores que é muita, como também de conscientizar os dirigentes das Casas Espíritas da importância desse trabalho, e este com certeza não um desejo apenas nosso, mas principalmente do Cristo.

Warwick Mota

(Publicado na revista Reformador de junho de 1996)

EMOÇÕES, EXPRESSÕES DO ESPÍRITO

Warwick Mota
O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente; a Ciência, sem o  Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação.
"Allan Kardec - A Gênese”        
Thomas Kuhn após a publicação da obra “A estrutura das Revoluções Científicas” em 1962, tornou-se anos 1970/80, o grande referencial de discussão entre os filósofos da ciência, fato que redundou no uso popular do conceito de paradigma, aplicado inicialmente à história do fazer científico.

Kuhn, ao perscrutar a estrutura em tela, demonstra que perspectiva da visão paradigmática tem por objetivo orientar o público que se prepara para o ingresso no campo das atividades científicas onde atuará, para ele “uma comunidade científica, ao adquirir um paradigma, adquire igualmente um critério para a escolha de problemas que, enquanto o paradigma for aceito, poderemos considerar como dotados de uma solução possível” .

Posto esses conceitos iniciais, reportamo-nos a uma matéria bastante interessante publicada pela Revista Istoé – edição 2054 – de 25 de março de 2009 que reputo como um novo paradigma científico e cujo título é: “Solte suas emoções”. No referido texto, a articulista começa dizendo que:

“Há um preconceito enraizado contra a livre expressão das emoções na cultura ocidental. Quem demonstra angústia, raiva, alegria excessiva ou medo, tanto no trabalho como na vida pessoal, é considerado passional, irracional, frágil e despreparado para enfrentar a realidade da vida. É aquele que não aprendeu a domar os seus sentimentos e a desenvolver aquilo que nos diferencia dos animais: a racionalidade (...)".

Pesquisas recentes comprovam a importância do reconhecimento e da expressão das emoções - até as negativas. Levantamento da Harvard Medical School, dos Estados Unidos, concluiu que quem reprime frustrações tem três vezes mais chances de se tornar vulnerável no trabalho. "As pessoas consideram a raiva como uma emoção terrivelmente perigosa e encorajam a prática do pensamento positivo", explica o autor da pesquisa, George Vaillant, que entrevistou 824 profissionais e acaba de divulgar o estudo”.

Em que pese a gama de informações que versa sobre o tema, sempre existe espaço para considerações adicionais, perante isso, cumpre-nos informar que o paradigma da ciência cartesiana (hoje dominante) está fulcrado no método sistematizado pelo chamado racionalismo científico, assimilado nas Universidades como única forma de adquirir o conhecimento verdadeiro, desenvolvido a partir de um sistema de pensamento elaborado pelo filósofo francês Renê Descartes e pelo físico inglês Isaac Newton, no século XVII.

É interessante lembrar que foi esse mesmo pensamento que permeou os questionamentos iniciais do Professor francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec), quando convidado a examinar o fenômeno das mesas girantes. Embora os conceitos cartesianos fizessem parte da formação intelectual do Professor Rivail, a sua visão sistêmica, que extrapolava a visão paradigmática da época, permitiu ver o homem como um ser holístico, onde o espírito pelo fenômeno reencarnatório, tem a oportunidade exteriorizar os sentimentos, com o objetivo maior de sublimá-los.

Allan Kardec é o primeiro a tratar as emoções como expressões comportamentais do Espírito e não como aptidões naturais do cérebro, contrapondo-se ao pensamento científico que sugere que as emoções entre outros comportamentos, são determinadas em grande parte pela carga genética, nesse sentido, o Espírito Hahnemann no Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. IX, item X, nos socorre acerca do tema, em uma mensagem de 1863. 

“Indubitavelmente, temperamentos há que se prestam mais que outros a atos violentos, como há músculos mais flexíveis que se prestam melhor aos atos de força. Não acrediteis, porém, que aí resida a causa primordial da cólera e persuadi-vos de que um Espírito pacífico, ainda que num corpo bilioso, será sempre pacífico, e que um Espírito violento, mesmo num corpo linfático, não será brando; somente, a violência tomará outro caráter. Não dispondo de um organismo próprio a lhe secundar a violência, a cólera tornar-se-á concentrada, enquanto no outro caso será expansiva. 

O corpo não dá cólera àquele que não na tem, do mesmo modo que não dá os outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade?”

Não é por acaso que Allan Kardec é chamado de “o bom senso encarnado”, pois à luz da perspectiva espírita ele permite-nos vislumbrar que o ser humano é um ser complexo, que deve ser analisado sob as mais diversas vertentes científicas, mas também à luz do argumento religioso e filosófico, cada vertente revela particularidades e abordagens que caracterizam o constructo Divino e delineia a evolução do princípio inteligente como elemento máximo da obra de Deus.

Entretanto, ainda predomina a ênfase no aspecto material, a ponto de permitir que o homem contemporâneo continue a admitir o paradoxo do homem medievo, que na tentativa de justificar os seus desatinos comportamentais, afirmava que ao mesmo tempo em que a corpo era responsável pelo pecado, era também responsável pela remissão, e esta, era obtida com o sofrimento do corpo, para isso submetiam-se a grandes peregrinações e autoflagelação. Por isso mesmo, ainda ouvimos nos dias atuais a equivocada afirmação de que a “carne é fraca”, na tentativa de justificar a falta.

O pensamento exposto deriva da tradição bíblica que herdamos, que define a vida como corrupta onde todo impulso natural é pecaminoso, portanto, o equivoco remete a épocas imemoriais, e sua principal fonte encontra-se na doutrina da queda, quando do exame alegórico da família inicial (Adão e Eva) que habitava o Jardim do Éden, eles foram “castigados” por Deus que lhes retirou o principal atributo do corpo físico, a imortalidade, e respectivamente os expulsou do paraíso. Disso pode-se depreender nesse contexto, que o mito enfatiza a importância da matéria.

Definitivamente, a qualidade dos sentimentos e emoções revela o grau de elevação do Espírito e definem a sua condição moral, a ponto do Mestre Jesus afirmar: “Onde está o teu tesouro ali também estará o teu coração”. Corroborando com o ensino de Jesus, Emmanuel em uma anotação da obra Evolução em dois Mundos, registra que o pensamento de André Luiz exalta o nosso dever e responsabilidade no aprimoramento e controle das emoções.

“André Luiz, porém, busca apenas acordar em nós outros a noção da imortalidade, principalmente destacando-o, aos companheiros encarnados, qual forma viva da própria criatura humana, presidindo, com a orientação da mente, o dinamismo do casulo celular em que o espírito - viajor da Eternidade - se demora por algum tempo na face da Terra, em trabalho evolutivo, quando não seja no duro labor da própria regeneração. E assim procedeu, acima de tudo, para salientar que, atingindo a maioridade moral pelo raciocínio, cabe a nós mesmos aprimorar-lhe as manifestações e enriquecer-lhe os atributos, porque todos os nossos sentimentos e pensamentos, palavras e obras, nele se refletem, gerando conseqüências felizes ou infelizes, pelas quais entramos na intimidade da luz ou da sombra, da alegria ou do sofrimento”.

Finalmente, a Doutrina Espírita demonstra que a evolução consiste na nossa reorganização mental, na adoção de projetos de felicidade, pois somos ainda subprodutos dos diversos paradigmas existentes, se ainda não alcançamos a felicidade é porque muita coisa em nós precisa ser modificada, a reforma íntima é esse instrumento que permite quebrar os paradigmas sem expressão nos colocando em novo patamar de compreensão, visto que com a aplicação da reforma íntima vamos aprendendo a substituir ações menos dignas por outras mais dignas.

Warwick Mota
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Texto contemplado no concurso A Doutrina. Texto publicado no Jornal Brasilia Espírita em novembro/dezembro 2010

Bibliografia:
1-KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo,
Federação Espírita Brasileira, Rio de Janeiro, 52ª edição.
2-KARDEC, Allan.A Gênese” - Federação Espírita Brasileira,
Rio de Janeiro, 12ª edição
3-CAMARGO, Jason. Educação dos Sentimentos, Editora
Letras de Luz, Porto Alegre, 2ª edição
4-KUHN, Thomas. A estrutura das revoluções científicas. 7.ª
ed. São Paulo: Perspectiva, 2003
5-KAPRA, Fritjof. O Ponto de Mutação Editora Cultrix,
1996,17ª edição
6-Revista ISTOÉ. Carina Rabelo, edição nº 2054, de 25 de
março de 2009
7-CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito, Editora Palas
Athena, São Paulo, 1990
8-LUIZ, André, Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira.
Evolução em dois Mundos, Federação Espírita Brasileira, Rio
de Janeiro, 12ª edição

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A PROPOSTA DE CRISTO

Warwick Mota

Seria impossível para nós, mensurarmos a grandeza dos ensinamentos do Mestre Jesus, mas podemos afirmar, que a proposta destes, é nortear o comportamento individual de cada um de nós, proporcionando-nos ensinamentos, que provocam profundas reflexões, ensejando orientações, que despertam para o desenvolvimento espiritual.

Para lograr objetivos, a mensagem do Evangelho fundamenta-se em dois grandes aspectos: A autoridade moral e a autoridade espiritual. A primeira, refere-se a exemplificação dos ensinamentos através dos atos, a segunda interagente à primeira, além de denotar a grandeza moral do Cristo que transcende aos atos e palavras, faculta a modificação do ser pelo envolvimento fluídico que provoca a sua superioridade espiritual, promanada não das qualidades de seu corpo, mas do seu Espírito. A exemplo disso nos narra Lucas cap. 19 v. 1 a 10, a passagem de Jesus por Jericó.

"E tendo Jesus entrado em Jericó, ele atravessava a cidade .

Havia um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sincômoro para ver Jesus que iria passar por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: "Zaqueu desce depressa pois hoje devo ficar em tua casa". Ele desceu imediatamente e recebeu com alegria. A vista do acontecido todos murmuravam, dizendo: "Foi hospedar-se na casa de um pecador!" Zaqueu, de pé disse ao Senhor: "Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo". Jesus lhe disse: Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido ".

O diálogo que aparentemente manifesta-se como que de caráter simplista, revela grandes ensinamentos que para muitos passam despercebidos, mas que, destaca claramente o ensinamento moral e o ensinamento espiritual. O fato de Zaqueu procurar uma melhor forma de ver Jesus, revela uma predisposição a mudança dos atos, pois a simples presença do Rabi Galileu provocava profundas reflexões. Outro ponto indiscutível, é que a mudança de Zaqueu já fazia parte dos objetivos do Mestre, tanto que ao entrar em Jericó, o percebe facilmente em cima de uma árvore ansioso por um olhar, ao que Jesus corresponde, demonstrando profundos conhecimentos de psicologia transpessoal, levantando o olhar, se dirige a ele dizendo:

"Zaqueu desce depressa pois hoje devo ficar em tua casa", neste momento o vocábulo casa adquire outra conotação, visto que, ele vem antecedido de uma afirmativa verbal, "pois hoje devo ficar em tua casa", na frase, o verbo devo, é aplicado no sentido de certeza e não de hipótese. Entendemos com isso, que o Mestre, se refere a casa mental de Zaqueu, pois a hospedagem que desejava Jesus, não era apenas no lar físico de Zaqueu, mas principalmente no seu coração, a fim de que este se modificasse. Convém ressaltar, a imensa facilidade, com que Jesus manipula os fluidos, pois, subentende-se, que ele altera a psicosfera pessoal de Zaqueu, permitindo, que este, compreenda a mensagem de natureza espiritual na sua perfeita essência, e ele a entende como se Jesus a propusesse: "Desse depressa pois hoje devo ficar em teu coração para sempre".

O envolvimento fluídico na questão é tão patente, que bastou alguns momentos em contato com o Mestre para que se processasse profundas modificações morais em Zaqueu, não apenas pelo compromisso público de restituir quadruplamente (segundo a lei de Moisés), aqueles a quem prejudicou anteriormente, mas por despertar nele, o sentimento de caridade e desprendimento, levando-o a doar aos pobres, metade dos bens que lhe pertenciam.

A autoridade espiritual de Jesus se faz presente, ao afirmar: "A salvação entrou nesta casa, porque ele também é filho de Abraão. Com efeito, o filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido". Não obstante demonstrar claramente o conhecimento da ficha espiritual de cada Espírito encarnado na Terra, visto que, conhecia as mazelas que marcavam o caminho espiritual de Zaqueu, percebia nos seus pensamentos a vontade de mudar. Se não fosse verdade estaria Jesus interferindo no livre arbítrio daquele, modificando-o intimamente contra sua vontade.

A receptividade de Zaqueu as sugestões fluídicas do Mestre, modifica instantaneamente seu comportamento para com Deus, para com o próximo e para consigo mesmo, salvando aquela encarnação e por conseguinte reformando-se pela conversão, através de atos e não de promessas.

É oportuno recordarmos que a passagem de Zaqueu é de grande alcance e importância na condução de nossas atitudes, subir no sincômoro representa a predisposição para a mudança, que funciona como agente facilitador da reforma íntima, reforma esta, que constitui-se no preparo da morada de nossos corações, onde o Cristo com certeza pedirá pousada.

- Warwick Mota
Publicado na revista Reformador - Feb - fevereiro de 1997

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A REENCARNAÇÃO

Warwick Mota

Indubitavelmente a reencarnação constitui-se em uma das crenças mais antigas da humanidade. Ponto comum a muitas religiões, a ideia da reencarnação é difundida sob as mais diversas formas. Reencarnar significa voltar à carne outra vez, nascer de novo; podemos conceituar então reencarnação como renascimento.

Se fizermos uma análise desapaixonada do assunto, poderemos observar que a doutrina da reencarnação, é, entre todas as doutrinas filosóficas, aquela que melhor se pode aceitar nas bases de investigação de natureza científica. Já são muitos os cientistas que estudam a problemática reencarnacionista, dentre os quais podemos citar grandes pesquisadores como o Dr. Jan Stevenson da universidade de Virgínia, U.S.A.,o Dr. H. N. Banerjee, da Universidade da Índia, o Dr. Hernani Guimarães de Andrade, do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, de São Paulo e tantos outros não me­nos importantes, com boas obras publicadas, que destacam o caráter científico deste maravilhoso tema.

Não podemos esquecer que dentro de uma análise religiosa, a reencarnação é a única doutrina que se mostra compatível com a Justiça de Deus. Diante da reencarnação caem por terra as arbitrariedades dogmáticas, as in­justiças, os absurdos teológicos, os problemas psicológicos, as anomalias genéticas, as incongruências de natureza social; todas essas situações encontram uma resposta diretamente proporcional para com a dignidade humana, pois somente uma explicação plausível pode-se encontrar para tais situações: a reencarnação, que por dedução lógica é a resultante da lei de causa e efeito, ou seja, sabemos que o homem tem várias vidas e que cada vida é vivida como efeito das causas de outras vidas; se assim não o fosse, a Justiça Divina seria completamente injusta.

Dentro desse mesmo contexto religioso, vamos encontrar na Bíblia, no antigo testamento, indícios claros de que a reencarnação já era conhecida também pelos israelitas, onde está escrito: “visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborreceram - Êxodos 20:5”. Podemos entender, em outras palavras, que o sofrimento atual das pessoas é na maioria das vezes uma consequência direta dos erros come­tidos no passado, que sensibilizaram as leis naturais; o resultado dessa sensibilização reflete-se diretamente no próprio infrator, que deverá em uma nova existência adequar-se às mesmas leis que infringiu; para isso, volta várias vezes no mesmo círculo familiar.

Sem fugir ainda deste contexto, vamos encontrar aqueles que combatem a reencarnação, afirmando que esta não fazia parte dos ensinamentos do Cristo; esse posicionamento está equivocado, pois ao buscarmos no novo testamento, Mateus 11:14, vemos os discípulos perguntarem ao Cristo: “esse é o Elias que há de vir? “ Ora! Elias tinha morrido há mais de quinhentos anos; essa pergunta seria uma insanidade se os discípulos não conhecessem a reencarnação.

A crença na reencarnação era um conceito tão difundido no oriente próximo e médio que o povo a aceitava como algo perfeitamente normal; essa aceitação está tão explicita, que no caso do homem cego de nascença, os discípulos chegam a ser contundentes. “Rabi, quem pecou, este ou os seus pais, para que nascesse cego? (João 9:1:12)”.

O paralelo entre Elias e João o “Batista”, tão mal compreendido por irmãos de outras crenças, é muito rico em evidências reencarnacionistas; basta querer enxergar. Elias foi um homem de muita importância dentro do seu cenário histórico, visto que teve ele, uma grande ascendência na religião e na política de Israel, entre os anos de 874 a 853 a.C., período em que Achab governou Israel. O ponto alto dessa história começa com o Rei Achab, casando-se com Jezabel, filha do Rei Etibaal da Sidônia.

Na Sidônia prestava-se culto ao deus Baal e Jezabel era uma adoradora desse deus; após seu casamento com Achab, ela entendeu que como rainha de Israel, poderia introduzir naquele país o culto ao deus Baal, o deus pagão de seu país de origem. Tal decisão atingiu em cheio as concepções religiosas dos israelitas e com isso Elias posicionou-se radicalmente contra essa inserção pagã, deflagrando uma guerrilha pessoal contra Jezabel, que resultou em uma morte trágica da mesma, como está descrito em 2º Reis 9:30/37: “Jeú, o general do Rei, a jogou de uma janela de uma torre do palácio e, ao cair seu corpo despedaçou-se, sendo devorado pelos cães; só lhe sobrando as palmas das mãos e a caveira.”
Trezentos anos após a morte de Elias, o profeta Malaquias afirma em uma de suas profecias que Elias iria voltar. “Eis que vos envio o profeta E/ias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor.” Foram quase quinhentos anos para que essa profecia acontecesse, o que veio ocorrer ao tempo de Jesus; Elias reencarnou como João o “Batista”, comprovado pelo Cristo, em Mateus 11:14.

Ao que tudo indica, a querela entre Elias e Jezabel não ficou lá mui­to bem resolvida, pois, Elias, ao retornar como João o “Batista”, reencontra a inimiga do passado, Herodias. E impossível negar, as evidências são irrefutáveis entre os dois episódios, envolvendo Jezabel/Herodias e Elias/João Batista.

Vejamos: ambas casaram-se com Reis de Israel; Jezabel casou-se com Achab e Herodias com Herodes; as duas cometeram o mesmo “pecado”: ofenderam as leis religiosas de Israel, uma tentando introduzir culto ao deus Baal, a outra, cometendo o incesto, ao casar-se como cunhado. A primeira, foi perseguida por Elias e a segunda, por João Batista. Jezabel, que no primeiro episódio desencarnou de forma trágica, como Herodias, desta feita inverteu os papéis, induziu sua filha Salomé a convencer Herodes a ordenar a decapitação de João Batista, cuja cabeça foi entregue a Salomé em uma bandeja.

Muita água rolou e, ao contrário do que muitos pensam, a crença na re­encarnação foi aceita pela igreja cristã primitiva até o ano de 553 d.C, quando foi abolida pelo Quinto Conselho Ecumênico, reunido em Constan­tinopla, por três votos a dois. posteriormente, o reverendo G. Nevin Drinkwater, um sacerdote católico liberal, esclareceu, que o Conselho jamais declarou que a reencarnação fosse herética; o fato é que, em um sínodo local, o Conselho condenou os ensinamentos que foram propostos por Orígenes, em suas obras De principiis e Confra Celsus; entretanto, o reverendo esclarece que a decisão do Concilio foi apenas local, não sendo assim compulsória, para toda a Igreja Universal1.

Alguns estudiosos da Bíblia informam que após o Concílio, os textos do antigo e novo testamento, que referiam-se à reencarnação, foram considerados esotéricos, sendo de­cifráveis apenas pelos iniciados ou pelos que detinham o conhecimento para a interpretação das escrituras; dessa forma a reencarnação foi aos poucos caindo no esquecimento do povo e só nos séc. XII e XIII d.C, foi novamente difundida pelos cátaros (palavra de origem grega que significa “puro”), ou albigenses, devido à cidade de Albi. Além da crença na reencarnação, os cátaros não admitiam qualquer tipo de intermediário entre o homem e Deus; essas crenças afrontavam diretamente os interesses da Igreja e do regime feudal; por isso passaram a ser perseguidos ferozmente pela Igreja Católica, que os considerava hereges.

Apesar das tentativas das teologias tradicionais em abafar a crença na reencarnação ao longo dos séculos, a Providência Divina não nos deixa órfãos de conheci­mento e envia no tempo preciso, missionários como Allan Kardec, que vem revelar para a humanidade carente de conhecimentos coerentes, a doutrina da reencarnação, ensinada pelo espíritos superiores, como um elemento pedagógico dentro do processo de evolução individual das criaturas.

Quando, no desdobramento da questão 330 de “O Livro dos Espíritos”, o Codificador, evoluindo em seu raciocínio acerca da necessidade da reencarnação, pergunta aos Espíritos superiores: “a reencarnação é uma necessidade da vida espírita, como a morte é da vida corpórea?” Ao que os Espíritos lhes respondem sem rebuços: “Certamente, assim o é”.

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1- Revista Planeta “REENCARNAÇÃO” – 1ª edição Mar/85, extraído de Robertson, Church Histroy 1, pág. 157, e Hefele, History of the Councils of the Church IV, pág. 223.

Bibliografia sugerida

1- Hermínio C. Miranda — Os Cátaros e a Heresia Católica — Ed. La Châtre
2- A Bíblia de Jerusalém
3- Allan Kardec - O Livro dos Esp fritos Ed. FEB
4- Revista Planeta “REENCARNAÇÃO” -Ed. Três — P edição Mar/1985

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